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domingo, 25 de setembro de 2011

Carta ao Governardor - Quanto vale o medico?

Carta da DRA. MARIA ISABEL LEPSCH ao Governador do RIO DE JANEIRO, SERGIO CABRAL. LEIA E DIVULGUE Sabe governador, somos contemporâneos, quase da mesma idade, mas vivemos em mundos bem diferentes. Sou classe média, bem média, médica, pediatra, deprimida e indignada com as canalhices que estão acontecendo.Não conheço bem a sua história pessoal e certamente o senhor não sabe nada da minha também. Fiz um vestibular bastante disputado e com grande empenho tive a oportunidade de freqüentar a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, hoje esquartejada pela omissão e politiquices do poder público estadual. Fiz treinamento no Hospital Pedro Ernesto, hoje vivendo de esmolas emergenciais em troca de leitos da dengue. Parece-me que o senhor desconhece esta realidade. O seu terceiro grau não foi tão suado assim, em universidade sem muito prestígio, curso na época pouco disputado, turma de meninos Zona Sul ...Aprendi medicina em hospital de pobre, trabalhei muito sem remuneração em troca de aprendizado. Ao final do curso, nova seleção, agora, para residência. Mais trabalho com pouco dinheiro e pacientes pobres, o povo.. Sempre fui doutrinada a fazer o máximo com o mínimo. Muitas noites sem dormir, e lhe garanto que não foram em salinhas refrigeradas costurando coligações e acordos para o povo que o senhor nem conhece o cheiro ou choro em momento de dor.. No início da década de noventa fui aprovada num concurso para ser médica da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro'. A melhor decisão da minha vida, da qual hoje mais do que nunca não me arrependo, foi abandonar este cargo. Não se pode querer ser Dom Quixote, herói ou justiceiro. Dói assistir a morte por falta de recursos. Dói, como mãe de quatro filhos, ver outros filhos de outras mães não serem salvos por falta de condições de trabalho. Fingir que trabalha, fingir que é médico, estar cara-a-cara com o paciente como representante de um sistema de saúde ridículo, ter a possibilidade de se contaminar e se acostumar com uma pseudo-medicina é doloroso, aviltante e uma enorme frustração. Aprendi em muitas daquelas noites insones tudo o que sei fazer e gosto muito do que eu faço. Sou médica porque gosto. Sou pediatra por opção e com convicção. Não me arrependo. Prometi a mim mesma fazer o melhor de mim. É um deboche numa cidade como o Rio de Janeiro, num estado como o nosso assistir políticos como o senhor discursarem com a cara mais lavada que este é o momento de deixar de lenga-lenga para salvar vidas. Que vidas, senhor governador ? Nas UPAS? tudo de fachada para engabelar o povão!!!! Por amor ao povo o senhor trabalharia pelo que o senhor paga ao médico ? Os médicos não criaram os mosquitos. Os hospitais não estão com problema somente agora. Não faltam especialistas. O que falta é quem queira se sujeitar a triste realidade do médico da SES para tentar resolver emergencialmente a omissão de anos. A mídia planta terrorismo no coração das mães que desesperadas correm a qualquer sintoma inespecífico para as urgências... não há pediatra neste momento que não esteja sobrecarregado. Mesmo na medicina privada há uma grande dificuldade em administrar uma demanda absurda de atendimentos em clínicas, consultórios ou telefones. Todos em pânico. E aí vem o senhor com a história do lenga-lenga. Acorde governador ! Hoje o senhor é poder executivo. Esqueça um pouco das fotos com o presidente e com a mãe do PAC, esqueça a escolha do prefeito, esqueça a carinha de bom moço consternado na televisão. Faça a mudança. Execute. "Lenga-lenga" é não mudar os hospitais e os salários. Quem sabe o senhor poderia trabalhar como voluntário também. Chame a sua família. Venha sentir o stress de uma mãe, não daquelas de pracinha com babá, que o senhor bem conhece, mas daquelas que nem podem faltar ao trabalho para cuidar de um filho doente. Venha preparado porque as pessoas estão armadas, com pouca tolerância, em pânico. Quem sabe entra no seu nariz o cheiro do pobre, do povo e o senhor tenta virar o jogo. A responsabilidade é sua, governador. Afinal, quem é, ou são, os vagabundos, Governador ?
Dra. Ma. Isabel Lepsch
ICARAÍ Rua Miguel de Frias 51 sala 303 Tel: 2704-4104/9986- 2514 NITERÓI Av. Amaral Peixoto 60 sala 316 Tel: 2613-2248/2704- 410 4/9982- 8995
SÃO GONÇALO Rua Dr. Francisco Portela 2385 Parada 40 Tel: 2605-0193/3713- 0879
Através da Divulgação é que podemos tentar ajudar a diminuir a DESASISTÊNCIA TOTAL DO GOVERNO AOS HOSPITAIS PÚBLICOS DO BRASIL.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

@21-9-2011 VALOR DO MEDICO

Distorções no mercado de planos de saúde


Da remuneração da consulta médica:

Após a implantação do Plano Real, em 1994, ocorreu um congelamento dos honorários médicos pagos pelas operadoras de planos de saúde, que perdurou por muitos anos. Este fato foi atribuído ao fim da ciranda financeira, época em que as operadoras remuneravam seus prestadores de serviços com os lucros advindos da especulação.

Os valores praticados por uma consulta, em julho de 1994, giravam em torno de R$ 18,00. Segundo a ANS, a média paga em 2002, se situava em torno de R$ 23,00, elevando-se em 2007 para R$ 33,00.

Em agosto de 2009, o grupo UNIDAS estava pagando R$ 42,00, enquanto as operadoras de primeira linha (UNIMED e AMIL), pagavam R$ 50,00. Estas concordaram com um valor de R$ 54,00 para consulta, a partir de setembro de 2009. Por outro lado, a UNIDAS propôs R$ 44,00, reajuste de apenas R$ 2,00. A diferença que era de 19,05% aumentaria para 22,73%.

Se levarmos em conta o valor proposto pela UNIDAS, o reajuste da consulta médica sofreria um incremento de 144,44%, em 15 anos. Em contrapartida o reajuste das operadoras de primeira linha (UNIMED e AMIL) alcançaria 200%. A defasagem entre os valores praticados aumentaria, causando um desequilíbrio econômico financeiro a ser suportado pelos médicos.


Das variações dos índices inflacionários e econômicos de julho de 1994 a agosto de 2009:

Observando os diversos índices inflacionários no período, constatamos que todos foram bem superiores aos reajustes concedidos aos médicos.

IPC-Saúde FIPE = 333,02%
INPC = 256,92%
IPCA = 247,45%
Reajuste do Salário Mínimo de 01/07/1994 (R$ 64,79) a agosto de 2009 (R$ 512,67) = 691,28%

 
            A paralisação do atendimento no dia 21 de setembro visava chamar a atenção da sociedade e dos pacientes para a falta de reajuste nas tarifas pagas aos médicos. Sem o atendimento a idéia seria fazer pressão para o reajuste de valores pagos hoje em relação aos honorários médicos. Entretanto, economicamente apenas os planos tem a ganhar, pois as consultas médicas que seriam faturadas aquele dia de paralisação não serão pagas. Duvido que no mês de setembro se alguma operadora de planos de saúde  repassou o valor de desconto por 1 dia de paralisação a seus  clientes. No final do dia os planos mantém seu dinheiro, ganham apenas algumas reclamações e realmente nada de efetivo a favor da classe médica pode ser comemorado. E permanece o cartel de planos de saude.







Segue um Texto de outro medico.

    Médicos e cabeleireiros

  
    - Como está agora?
    - Bem melhor.
    - Precisa cuidar direitinho. Tome cuidado, ok?
    - Pode deixar.
    - Te vejo no mês que vem?
    - Com certeza.
    - Quer deixar marcado?
    - Melhor não. Não quero prender seu horário. Depois eu ligo e marco
com mais certeza.
    - OK. Até lá!
    - Até...

    Este foi meu último diálogo com um profissional que vejo quase todos os meses. Felizmente, não sofro de nenhuma doença crônica que precise de acompanhamento periódico. Nem tampouco sou hipocondríaco ou faço exames regulares com receio de algum mal maior. Este foi apenas um fragmento de conversa com o profissional com quem corto o cabelo há mais de 10 anos.
    Saindo do salão deixei um cheque no valor de R$ 40,00 referentes ao corte e mais 10% de gorjeta, como meu pai me ensinou: 'Filho, estes profissionais ficam bem mais motivados a trabalhar, se você demonstrar satisfação'.
    Chegando ao consultório me deparo com uma situação constrangedora onde uma paciente recusava-se fornecer seu cartão do plano de saúde para ser feita a cobrança junto à seguradora, pois alegava que era retorno de consulta, onde ela apenas teria vindo para mostrar os exames que eu pedira há 2 meses atrás.
Para contornar a situação, acabei orientando que não fosse feita a cobrança e que a atenderia assim mesmo. Afinal, poderia dar a impressão que eu estaria sendo mercenário ou que minha atitude não era digna de um médico com mais de 20 anos de formado.
    Ao deitar para dormir à noite, algo me inquietava e afugentava o sono.
    Eu pagara R$ 44,00 ao cabeleireiro e, no mesmo dia, tivera recusado pela paciente uma cobrança de R$ 34,00 referentes a uma consulta médica para avaliar alguns exames, que me orientariam na conduta frente a um diagnóstico de câncer e sua possibilidade de cura.
    No mês seguinte, voltei ao salão para cortar o cabelo com um pouco menos de entusiasmo. Considerando o investimento em formação técnica e profissional, proporcionalmente, se eu recebo R$ 34,00 por uma consulta, deveria pagar não mais do que R$ 5,00 para cortar o cabelo.
    Conversando com o Lúcio, ele me dizia que fizera um curso de 1 ano em escola de cabeleireiros, que vai anualmente a congressos para conhecer novas técnicas, novos produtos e se atualizar nos cortes da moda. Disse que tem que trabalhar até as 20 horas e também aos sábados. Realmente fiquei orgulhoso
em saber que meu profissional é um sujeito atualizado.
    Novamente a inquietude me tomou de assalto e não pude deixar de me comparar ao Lúcio. Certamente ele não tem curso superior. Nem tampouco pós-graduação. No entanto, isto não o faz uma pessoa menor. Maneja muito bem a tesoura e a máquina e dá o que o cliente quer: satisfação. Valoriza seu trabalho e investe na profissão.
    Voltei a pensar em mim.
    Ele está certo. O que motiva então esta comparação entre um médico e um cabeleireiro? Vejamos: ambos temos clientes. Os dele são mais fiéis do que os meus, pois os meus vieram até mim por intermédio do livrinho do convênio.
Os dele são 100% particulares. Nós dois cuidamos da saúde das pessoas, claro que ele cuida dos cabelos e eu do resto. Vestimo-nos de branco impecavelmente.
Manejamos a tesoura com habilidade. Está certo que as estruturas que eu corto, normalmente, sangram e doem, mas temos que ter certa habilidade para tanto.
Em alguns momentos usamos luvas e máscaras, para nos proteger e até proteger o cliente. Trabalhamos bastante. Às vezes temos que atender em 15 minutos,mas normalmente damos conta do recado, neste período. Precisamos de
infra-estrutura como pias, cadeiras, telefone, secretária, agenda, café, revistas, sala de
espera, etc. Pagamos impostos sobre o serviço realizado. E quantos...
    E nossas diferenças? Bem, fiz a faculdade em 6 anos, após muito estudo
para enfrentar um dificílimo vestibular. Diploma em mãos, foi pra gaveta, pois nova prova era necessária para fazer uma especialidade, desta vez com funilainda mais apertado. Mais 3 anos se foram. Aos meus 27 anos de idade, eu havia passado 1/3 deles na Santa Casa de São Paulo. Daí comecei a trabalhar como plantonista, diarista, funcionário e até professor, para finalmente montar meu próprio consultório. Clientes particulares não existem para médicos pobres mortais da minha geração. Devem estar sendo cuidados pelo IBAMA, para ver se se reproduzem em cativeiro.
    O jeito é fazer alguns convênios, pois hoje ninguém que tenha algum recurso financeiro quer ser atendido pelo SUS. E, a julgar pelas moças bonitas e pelos homens de meia idade esbanjando saúde que aparecem nas propagandas, o plano de saúde deve ser uma maravilha. Descobriram a fonte da juventude !
    Na outra ponta estamos nós, médicos de meia idade, recebendo valores que variam de R$ 18,00 a R$ 42,00 por consulta para decidir sobre a sua saúde, caro leitor.
    E você achava que seu médico ganhava bem, né ?
    E os Pediatras, Clínicos, Reumatologistas, Pneumologistas,
Cardiologistas que não fazem cirurgias ? Ganham o quê ? Consultas e apenas consultas...
    Detalhe importante: cada vez que eu vou ao Lucio, eu pago. Se o
paciente voltar em menos de 30 dias, o convênio não paga. Se vier uma ou dez vezes em um mês, o médico recebe apenas uma consulta. E aquela paciente não quis me deixar cobrar uma nova consulta após dois meses, para ver seus exames. Duas
consultas por R$ 34,00 sai em média R$ 17,00 cada uma, fora os impostos.
    No salão do Lucio também tem manicure e pedicure. Mão e pé sai pela bagatela de R$ 30,00, mas eu não faço lá. As mulheres gastam bem mais em seus cabelos com tinturas, escovas, banhos de óleo, chapinhas, etc e nada disso ai por menos do que..... uma consulta médica. Não que não devam fazer. Acho que devem se cuidar, se enfeitarem e serem vaidosas, com moderação. Apenas quero alertar para o conflito de valores. Nem vou comentar sobre preço de depilação sob pena de entrar em profunda depressão.
    Outros serviços, como 'quick massage', tem se popularizado nos
shoppings. Meia hora por R$ 30,00. Sem impostos, recibos, notas fiscais, títulos de especialista, vigilância sanitária, conselho regional, associações de classe, sindicatos e convênios. E se voltar no dia seguinte, paga de novo.
    Enfim, existe o problema e muitos médicos têm vergonha de falar sobre isto. Alguns querem manter a pose de ricos e bem sucedidos, quando na verdade estão mesmo é falidos.
    Eu deixei de atender convênios e parei de ter insônia por este motivo. Agora o motivo é outro: como vou fazer para pagar minhas contas, se todos os pacientes querem passar com o 'médico do convênio' ?

    Dr. Alexandre Hamam

 
 



terça-feira, 23 de agosto de 2011

Artroscopias


Artroscopia



Antigamente, cirurgia de qualquer articulação significava grandes incisões cirúrgicas ou mesmo a abertura da articulação para pequenos procedimentos. Hoje, com o advento de tecnologias como a fibra ótica, pinças especializadas, parafusos, microcâmeras e âncoras com sutura, podemos realizar cirurgias complexas minimamente invasivas.

A palavra artroscopia vem de artro (articulação) e escopia (olhar), sendo que o instrumento que possibilita ao cirurgião olhar dentro da articulação por um pequeno acesso cirúrgico, com cerca de 1 cm, se chama artroscópio.  O artroscópio permite a visualização de lesões, evitando que uma grande incisão seja feita sem necessidade. Outras incisões podem ser feitas para inserir instrumentos cirúrgicos.

Existem várias articulações que podem ser tratadas por artroscopia: joelho, quadril, punho, ombro e tornozelo. As artroscopias evoluíram muito nos últimos anos: lesões de menisco, rupturas de manguito rotador, lesões de ligamentos e lesões cartilaginosas podem ser tratadas com uma grande variedade de técnicas e de materiais. Porém, ainda existem algumas limitações e, dependendo das lesões encontradas, pode haver a necessidade de se “reverter” o procedimento para uma cirurgia formalmente aberta.

A artroscopia, por reduzir a necessidade de grandes incisões, protege a integridade de partes moles (músculos , tendões e ligamentos), diminuindo o risco de infecções e do tempo necessário para reabilitação.

domingo, 31 de julho de 2011

Artroplastias

Site do Instituto Nacional de Traumato  Ortopedia.


Cartilhas para pacientes submetidos a artroplastia de quadril e joelho.

http://www.into.saude.gov.br/conteudo.aspx?id=122
(copie e cole em seu navegador o link acima)

domingo, 17 de julho de 2011

Osteoporose

Osteoporose


A osteoporose é uma doença comum e silenciosa. Os ossos perdem minerais e sua estrutura se torna frágil, deixando o esqueleto propenso a fraturas.




A maioria das pessoas imagina que os ossos são completamente sólidos e estáticos. Porém essa ideia é completamente equivocada. Nossos ossos respondem a estímulos como qualquer outro tecido do corpo, estando em constante construção e reabsorção. Quando o músculo se torna mais hipertrofiado (mais forte), o osso correspondente precisa aumentar sua resistência também. Uma pessoa sedentária possui uma densidade óssea menor que uma pessoa fisicamente ativa. A prática de exercícios regulares estimula a musculatura e como conseqüência a estrutura óssea.

O esqueleto de uma criança está sempre em crescimento e aumentando sua densidade progressivamente. Aos 25 anos de idade atingimos o pico de massa óssea. Um adulto jovem que se mantém ativo fisicamente e com uma dieta adequada consegue manter essa densidade óssea sem dificuldades. Porém, com a idade as alterações hormonais causam uma redução da densidade óssea.



Fatores que contribuem para osteoporose

idade avançada
sexo feminino
baixo peso corporal
perda de peso significativa recente
tabagismo
alcoolismo
sedentarismo
uso de algumas medicações (como cortico-esteroides)
dieta inadequada

A osteoporose é silenciosa, não causa dor e não apresenta qualquer sintoma. Em uma analogia podemos comparar como uma parede de alvenaria. Uma parede de madeira maciça, jovem e densa seria um osso jovem. Uma parede já corroída por cupins, com áreas vazias ocas, seria compatível com osso osteoporótico. As duas vão sustentar a casa porem ao se colocar peso (carga axial), na segunda parede, esta pode ser achatada ou quebrar facilmente.

 Na figura abaixo - osso normal na vertebra superior 
                      osteopenia vetebra do meio
                             osteoporose na vertebra inferior





A perda de densidade óssea causa redução de altura e alterações na postura pelo achatamento das vértebras. Esse aumento da fragilidade óssea pode causar fraturas importantes com pequenos traumas cotidianos. Um sério risco para pacientes idosos.



É aconselhável que mulheres na menopausa comecem a realizar exames de densitometria Óssea para detecção e tratamento precoce. Apenas um único exame é incapaz de definir se existe perda ou manutenção da densidade óssea. Por isso deve ser repetido com um ano de intervalo e acompanhado por um médico.

domingo, 5 de junho de 2011

Hérnia de Disco

A coluna humana possui 24 vértebras  e entre cada uma delas, um disco intervertebral. Cada segmento possui uma característica peculiar: as vértebras do pescoço (cervicais) possuem maior arco de movimento e mobilidade. As torácicas possuem estruturas que se articulam com as costelas e possuem pouca mobilidade. As lombares possuem maior estabilidade e robustez para suportar o peso do corpo.
Entre as vértebras temos discos intervertebrais que possuem duas partes: o núcleo pulposo e o anel. Os discos participam como amortecedores para as vértebras, absorvendo o impacto durante o movimento. Resistem a forças de tensão e compressão. Com a idade, o anel se torna mais fraco e pode sofrer rupturas.

 
Tabagismo, sedentarismo, alimentação inadequada e obesidade acelaram o processo de degeneração do disco, aumentando as chances de uma lesão.


A aumento do diâmetro do disco rompido pode causar uma compressão de estruturas nervosas. As raízes nervosas danificadas ou irritadas pelo processo inflamatório podem produzir dor irradiada no trajeto do nervo correspondente, causando a dor neurogênica.
Uma compressão de uma raiz nervosa lombar, por exemplo, pode reduzir a força muscular, dor e  causar perda de sensibilidade na área correspondente no membro inferior.

A perda ou alteração de sensibilidade na região do períneo, assim como a dor e perda do controle para urinar e evacuar caracterizam a Síndrome da Cauda Equina, que é uma emergência médica e deve ser tratada o mais rápido possivel.

Uma vez rompido o disco existe uma cicatrização da área afetada porem sem a mesma consistência. Ou seja uma vez instalada a hérnia existe uma perda de resistência irreparável em relação  a um disco saudável.


Existem vários tratamentos para hérnia de disco. Porém um dos fatores mais importantes do tratamento é o compromisso do paciente com mudanças significativas no estilo de vida para a prevenir a hérnia de disco.

Perda de peso
Fortalecimento muscular regular
Parar de Fumar
Melhora da ergonomia laboral
Educação postural
 

 
Referencias
Hernia disco

 Darrel S. Brodke and Stephen M. Ritter
Nonoperative Management of Low Back Pain and Lumbar Disc Degeneration
J. Bone Joint Surg. Am., Aug 2004; 86: 1810 - 1818.

lpesh A. Patel, William Ryan Spiker, Michael Daubs, Darrel Brodke, and Lisa A. Cannon-Albright
Evidence for an Inherited Predisposition to Lumbar Disc Disease
J. Bone Joint Surg. Am., Feb 2011; 93: 225 - 229.

Patrick Tropiano, Russel C. Huang, Federico P. Girardi, Frank P. Cammisa, Jr., and Thierry Marnay
Lumbar Total Disc Replacement
J. Bone Joint Surg. Am., Mar 2006; 88: 50 - 64.
 
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A coluna humana possui 24 vértebras  e entre cada uma delas, um disco intervertebral. Cada segmento possui uma característica peculiar: as vértebras do pescoço (cervicais) possuem maior arco de movimento e mobilidade. As torácicas possuem estruturas que se articulam com as costelas e possuem pouca mobilidade. As lombares possuem maior estabilidade e robustez para suportar o peso do corpo.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Queda do Idoso


A última queda


A queda de um idoso pode ser considerada um evento de alerta, um importante marcador do declínio de suas funções. Na população geriátrica são responsáveis por 70% das mortes acidentais em pessoas acima de 75 anos.

 O número de quedas aumenta gradativamente com a idade. No Brasil 30% de pessoas acima de 65 anos sofrem pelo menos uma queda ao ano, índice que aumenta para 51% para os acima de 85 anos.

Mais de 70% das quedas ocorrem em casa. Uma queda aparentemente inocente pode ter consequências desastrosas em pacientes idosos. Qualquer fratura pode ser potencialmente fatal, por isso, além de merecer uma atenção importante, deve ser prevenida.

Existem muitas alterações fisiológicas que ocorrem com a senilidade: redução de visão, audição e  reflexos, e perdas neuromusculares; além do surgimento do sedentarismo. Outras alterações podem ser causadas por doenças (como Parkinson e artroses, por exemplo), e/ou com uso de medicamentos (tais como anti-hipertensivos, sedativos, e outros).  Nossa própria percepção das alterações é amenizada com o tempo, pois vamos nos adaptando gradualmente a nossas deficiências e limitações. O paciente idoso não percebe que o tempo necessário para atravessar a rua aumentou, que seu equilíbrio é deficiente e que sua marcha é mais lenta. E, principalmente, não aceita suas limitações, sendo muito resistente a qualquer tipo de mudança em seu cotidiano, assim como em relação a cuidados prestados por terceiros.


Fig2 – Alterações causadas pela osteoporose em mulheres




Alguns fatores não podem ser alterados. Entretanto, até metade das quedas do idoso poderiam ser evitadas com algumas atitudes simples:

1-    Controle ambiental
2-    Controle de patologias
3-    Atividades regulares


Controle ambiental
A atenção principal deve ser voltada à residência do idoso, onde existe o maior risco de queda. Cada cômodo deve ser verificado, assim como suas adjacências: portarias, sacadas, jardins, escadarias próximas, etc. Todos os ambientes devem ser muito bem iluminados e sem obstáculos. A presença de tapetes, móveis baixos e irregularidades são riscos para o paciente, e devem ser retirados.
 Degraus devem ser devidamente marcados com cores fortes e vibrantes para chamar a atenção. Corrimãos/ barras e pisos antiderrapantes em corredores e banheiros são aconselháveis. O acesso ao banheiro merece apoios adequados e iluminação, esta especialmente para o período noturno, quando o idoso se levanta sonolento e às vezes desorientado.
 O idoso deve usar calçados adequados e vestimentas que permitam seu deslocamento sem restrição. Objetos de uso cotidiano devem permanecer em um local de fácil alcance, assim como um telefone para emergências. Idosos que vivem sozinhos possuem um risco aumentado, pois não têm a ajuda de alguém que minimize ou mesmo evite o risco de quedas, e se esta acontece, não obtêm socorro imediato.

Fig3 - Queda dentro de casa. O idoso pode ficar sem socorro e incapacitado de buscar ajuda.






Fig 4 – Mecanismo de fratura do quadril


Controle de Patologias

Todo paciente idoso deve estar em dia com seus exames de rotina e com sua medicação ajustada. Por exemplo: uma medicação para hipertensão mal ajustada pode causar queda na pressão arterial, o que pode levar a uma queda. A avaliação da acuidade visual e auditiva pelo menos uma vez ao ano, assim como a avaliação geriátrica global com medidas corretivas, é essencial.



Exercícios regulares

Qualquer exercício físico regular é benéfico para a melhora do equilíbrio e da marcha, do fortalecimento muscular e da amplitude articular. Idosos que mantêm atividade regular minimizam as chances de cair, e aumentam a densidade óssea, o que reduz o risco de fraturas. A mente também deve ser estimulada com terapias ocupacionais, contato constante com amigos ou familiares e novos desafios. Uma mente sedentária simplesmente atrofia.

Fig5 - Ex-piloto da RAF pedalando aos 85 anos



Fig6 - Exercicios regulares melhoram a qualidade de vida.

Concluindo, a queda do paciente senil  ainda permanece como a sexta causa de morte em idosos por ser de difícil prevenção. Exige uma abordagem multidisciplinar e um novo conceito de saúde do idoso. A ruptura do cotidiano e sensação de decadência podem gerar  uma resistência e aversão a mudanças, impedindo a  prevenção de quedas. 
Estas medidas devem ser realizadas após a percepção compreensiva da realidade, levando-se em conta as possibilidades e limitações em cada situação, com o objetivo de manter as habilidades físicas e mentais da pessoa.  Prevenir salva vidas.


           

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Cuidados com gesso


Gesso

Cuidados com gesso

O gesso comum demora cerca de 2 a 3 dias para secar completamente.  Qualquer pressão em excesso pode deformar e causar zonas de compressão.  Se o gesso envolver membro inferior o pé o paciente não deve andar com apoio no gesso por 48 horas.

O gesso sintético tem um tempo de secagem mais rápido, é mais resistente e leve, exige menos tempo  de secagem para uso de carga. O gesso sintético pode resistir a água em sua parte externa. Mesmo sendo “resistente a água” o gesso deve ser mantido seco, sua estrutura interna quando imersa em água pode permanecer úmida por longo período causando crescimento de fungos podendo causar lesões cutâneas.


O gesso deve ser mantido seco o tempo todo. Durante o banho deve ser protegido da água com saco plástico e bem vedado com uso de  fita adesiva ou esparadrapo.  O gesso sintético também deve ser protegido. Proteger o gesso até o fim do tratamento é essencial para o sucesso.

O membro imobilizado deve ser mantido elevado para evitar o edema (inchaço) do membro imobilizado sempre que possível. O gesso não cede, portanto quando o  membro aumenta seu volume acaba comprimido pelo gesso causando dor.


Evite mobilizar excessivamente ou situações que podem danificar o gesso. Ele foi colocado para ajudar na recuperação do seu membro. Sem sua cooperação o gesso se torna ineficaz.

Evite colocar objetos estranhos no gesso (arames, escovas, etc). Esses objetos podem causar lesões na pele que ficam escondidas pelo gesso. Uma ferida aberta na pele aumenta a chance de infecção e complicação no local.


Sinais de Alerta

Dor muito intensa
Sensação de formigamento
Edema importante (inchaço)
Extremidades frias

Esses sintomas podem indicar gesso muito apertado ou edema importante e devem ser prontamente avaliados por um médico.